domingo, 31 de janeiro de 2010

Sempre que traio,
traio ao extremo.
Traio num olhar,
traio num pensar,
num imaginar,
numa ereção,
num desejo,
e por fim traio ao trepar.
Pena o sexo só significar o esporro,
mas ser o que mais afeta a posse,
e o que mais destrói os já estabelecidos afetos,
apesar do ato não se passar
de apenas uma pulsão de gozar.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Na boca tocha.
Nada de nicotina. 
A lei proíbe, mas criança 
que faz pirraça não obedece.
Ainda atrevem-se a dizer que 
a raiz dos abismos é o sistema...

Imbecis!

A raiz de tudo o que é social 
é a escravidão elaborada.
O senhor se faz escravo,
o escravo se faz senhor,
e todos nós nos fazemos
capatazes.

Idiotas os que sonham com liberdade,
admiráveis os que a gozam ao conta-gotas,
loucos os que a abraçam e lutam por poder
enrabá-la sempre.

E quem conceitua o certo e o errado?
Com certeza não são os filósofos.

Dos filósofos os únicos que me valem
são aqueles que mandaram
foder com a grã-filosofia,  
destruíram e desconstruíram
monumentais e sólidas incertezas.
Orgulho todos eles terem morrido
em cabarés, garrafas, hospícios,
de câncer no cu, de câncer no pulmão,
de tuberculose, de cirrose, leprosos,
e de tantas mazelas quanto a língua
possa ilustrar.

Apologista me findo escravo, capataz,
senhor, mazelado, idiota, 
imbecil, aspirante a louco,
e repudiado pelo filosofismo,
já que desejoso a morrer de 
tão absurda mazela que a língua
não tenha palavras para figurar.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Abracei, desde o começo,
a identidade do subversivo.
Agora é chegada a hora
da fuga, e de abraçar
apenas os melhores devires.
Seja bem-vindo o prazer!
-HA HA HA-
Que ilusão!
(quebra de expectativa,
dose do real empírico)
[[Pois de quase nenhum gozo
vive o homem, produto do choro]]

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A mover sobre mim
só lhes valem
as políticas de derrubar tiranos.
E o ódio é que é a ama-de-leite
do amor.
Putrefaço, portanto, alvéolos pulmonares,
sofro patológica rebordosa de afetos,
só porque é tudo uma questão de sentidos.
Viva só se faz a morte,
constante só o medo,
identidade que mata devires,
e o indivíduo se faz papel,
carimbo, assinatura, foto...
Envolto somente de merda,
faço da criação excremento.
Afinal, tudo o que é, é!
Só se muda o orifício de escape,
a fórmula de inalação,
e a alquimia cerebral.
Dediquem a mim seus exércitos,
júris tiranos.
Atirem sobre mim balas
de flor e bosta,
mas a única arma que mata poetas
é a maldita poesia.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Preciso de um norte,
pois inconsequente saturado de suis.
Me deram um leste,
eu queria oeste.
Mas é tudo pobreza minha,
dependente dos sentidos
sempre desespero.
Trópicos e meridianos,
totalitários e fascistas,
fodem, e eu só me fodo.
Idiotas que somos
tentamos dividir o planeta,
mapeamos rizomas,
e enquadramos espaços,
tempos e gentes.
Até tento fugir do esquadro,
mas todos os caminhos sempre
parecem levar à rosa dos ventos.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Desadepto da moral,
improvável ético,
prego o que vem a ser o mais
imoral.
Arrebanho-me, pois até os
socialmente inviáveis têm
comunidade.
Saturado de idólatras,
irrefurtáveis idiotas,
me percebo partícula do que odeio,
pois até onde se espera crítica
só se percebe soterrar em
culto e reprodução.
Gênios mortos põem-se
a falar-nos novamente
através de vivas bocas,
inflados peitos, altivas poses,
e débeis mentes,
que só desviolentam-se em idéias.
Rica reprodução,
cretina prática,
morte da criação.
E a nós, pobres imbecis,
falta uma bela (des)dosagem de terrorismo.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010



De olhos bem fechados 
pra esconder as cores 
que dizem meu sangue 
anêmico.
Inútil.
A exposição encontra-se
também intrínseca no ato.
Ato a ato perco o controle 
da minha exposição.
E os afetos?!
Nem mais sei...
Emanam de mim violentos,
autônomos, espórricos, golfáticos,
implo e explosivos,
ao particular de um ser.
Ser que comedido e sádico,
me vê vulnerável e exposto,
e não dignifica-se a prostrar-se,
igualando os devires, ao meu lado,
me tirando de condição pedinte,
e me acalentando conforto 
de sabida reciprocidade.
Mas fodam-se os resultados!
O que me realmente importam são as afetações,
e poder prostrar nu 
ao lado do ser que me expõe.

sábado, 2 de janeiro de 2010

E o que não faz da vida um joguinho de cartas marcadas?

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A mim é quisto, pelo único eu resistente,
o poder do messias apocalíptico.
Carruagens de fogo,
cavaleiros da destruição,
nuvens que, negras, esconderiam os céus.
Ao meu sinal permissivo,
tudo o que é aparentemente humano
viria a ser findado.
Sobraríamos apenas os desumanizadores,
pregadores do que mais é humano
e que por mais humanos é repudiado
em estética.
Distribuiríamos dor aos sádicos,
a satisfação dos masoquistas.
E faríamos de nós mesmos reis,
nosso reino seria o que sobrasse da terra,
e nossas rainhas, eternas virgens,
eternas vítimas de nós, eternos estupradores.
Mas que bestas seríamos, desumanizadores,
apenas representações bobas do que
humano foi desde o princípio dos tempos e dos deuses,
fadados a mera perpetuação, inautêntica, do que, apocalípticos,
foram os homens, nossos criadores.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Não me venha com problemas simples,
não tenho saco pra soluções bestas.
Entalhado transeunte dos polos,
o único eu,
devir das extremidades,
tenho nas entre fases
o fermentar do meu poder de destruição
junto ao terror exalante da minha cara,
sádica aprendiz de talibã,
que grita, pede, implora, exige e chora
"vida me ensine a sofrer,
permita-me apenas amar!"
Pois só de eu a mim
desejo o mais sublime da dor.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Nego veementemente,
mesmo em devir esquizo-hipocondríaco,
a patologia a mim
sentenciada por um medíocre
capataz ideológico.
Desvinculado de qualquer
creditar, unicamente pertencente
a apolíneos,
um ridículo nunca-antes-Pitonisa
atreve-se a me diagnosticar louco!
Sabido que
minha única patologia
é poder medrar a própria abstração,
compreendo golpes
a todos os seus dizeres e receitares
que me agridem o poder de criação.
Visto que socialmente inviável
me descubro um fardo
à mediocridade alheia,
alio-me àquela que me teme,
tendo agora
além do habitual poder de terror,
o poder de corresponder e quebrar diagnósticos.
Pois, lúcido, faço de mim completo insano.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Tenho tentado
por toda a minha vida
ser Gilberto Gil e Caetano Veloso.
Pois o poder de adentrar em
todas as estruturas,
enrabar e ser enrabado,
penetrar e gozar,
ser penetrado e gozado,
criar, produzir sons e devires,
sempre muito me excitou, sempre muito me invejou.
Eu quero ser Gilberto Gil e Caetano Veloso.
"E por falar nisso, VIVA CACILDA BECKER!"

domingo, 6 de dezembro de 2009

Encontro-me em luto
visto que, partidário do lado mais fraco,
me vejo perdido em meio à guerra.
Mas a guerra acabou,
não há mais conflitos,
não há mais embates,
não há mais gozo,
nem há mais orgasmos,
somente força,
imposições,
outorgares,
castrações,
e dominação.
Derrotada a desumanidade,
a humanidade vinga.
Estado de conforto e dominação,
extermínio e constantes mortes
dos poucos e resistentes indivíduos.
O nascimento de mais um Deus,
e a morte dos mais dignos infiéis.
E eu, partidário do mais fraco,
me vejo perdido em meio a um cosmos,
estrutura meticulosamente organizada,
que não me pertence, não me admite,
não me respeita, mas infelizmente me tolera.
Triste por minha insignificância de tolerado,
ameaça nula que sou, não me dignifico a ser eliminado,
e agora só tenho a esperar a repressão.

domingo, 29 de novembro de 2009

Crentes descridos.
Peças no atacado.
Jihad brasileira.
Fazem guerras e outorgam dores,
usurpam vidas, hitlerizam
em bajulo ao qual
indiferente vive,
eterno, à mesa, talvez, de um bar,
ouvindo "Stone Crazy", fumando cigarros caros,
cheirando pó, bebendo absinto,
e sendo masturbado pelas melhores constelações,
sempre esquecido de sua criação.
Produto besta, carente, desesperado,
suicida em indivíduo, ambulante em carne,
pensa, egoísta e idiota,
ser obrigação de um criador viver em função
de sua criação, e não vê que, eterno, seria a ele
tortura viver e criar afetos pelos que vêm
mas sempre se vão, serão sempre ausentes,
existência corrosiva em sua pulsão de memória.
O mal do eterno é ser condenado a amar.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Pelo imoral e pelos péssimos costumes
me desconstruo em físico,
me denigro em imagem,
e me sublimo em ego!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Estou faaarto da vida!
Da vida farto,
farto vida,
vida fardo,
farto vida,
vida fardo,
farto da vida,
por isso parto
da vida farto.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Socialmente inviável,
me vejo afundar
em algo que sei bem o que.
Nada faço pra me salvar,
não me movo,
não resisto,
não anseio fuga,
mas ajo.
Ajo pois não quero ser feliz,
mas anseio sempre
momentos de felicidade.
Sempre anacrônicos,
natos efêmeros, instantes,
não sei se foram ou se serão,
que sei é que são poucos.
Nunca havia de ser diferente,
pois é tudo uma prova da falta
de dosar meu caos.
Mas o que fazer de mim,
se esquizo e insano,
me vejo nítido louco?
Louco, vejo que é tudo
só uma forma de compreender
que o suicída é sempre um revelador.

domingo, 15 de novembro de 2009

Eu sou um homem,
construção falha,
baseio meus alicerces
em tudo o que não é palpável.
Estático e frágil,
forço minha própria destruição
me auto-digladiando gradativamente
por implosões e auto-corrosão,
expressão mor de autofagia.
Todo prédio é feito
com a ilusão de ser eterno,
já eu, feito que fui, vivo em função
do dia em que, entulho, virei ao chão.
Eu sou um homem,
uma construção,
o prédio mais alto,
de onde pulam e, ao chão,
viram entulhos, mais belos do que serei,
outras construções.
Prédio condenado vivo,
caindo aos pedaços,
apenas esperando o dia marcado
em que virei, por fim, ao chão,
homem-entulho sem mais alicerces,
apenas partes mortas entulhadas
podres sobre o solo.

sábado, 7 de novembro de 2009

Da trepada à revolução,
é tudo desculpa
pra manter a cabeça
ocupada do tédio que
nos gerou e nos possui.
Mas nele já estamos submersos
desde os nascimento encharcado
até a morte seca.
De trepada em trepada
afogo o membro,
me encharco de suor,
e faço a revolução do tédio.
E assim há de ser, até o dia
em que meu corpo secar.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

XIII

O ápice tecnológico.
Uma não-maravilha mecânica
de engrenagens e ferramentas orgânicas.
Sempre um auto-erro sistêmico.
Descartável em todos os aspectos,
defende de forma quase-humana, suicída,
a matriz de sua conduta e protocolos.
Pensar-se em ciência sem esse joguete,
impossível.
Pensar-se para ele um pensar,
é pensar sua destruição
e consequente aniquilamento
da máquina,
mera massa robótica
de peças orgânicas.
E o mundo segue tal e qual.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

XII

Perdi-me em uma das curvas  
de tuas várias espirais. 
Tua pele alva, 
doce à boca,
suave ao toque, 
ecstasy,
narcótico, 
reflete em mim tua luz certa, 
anula por instantes 
a turbidez de toda minha escuridão. 
Só emirjo novamente
ao meu estado de deturpação  
sob distonância do silêncio estático 
do meu medo caótico 
de nunca conseguir tê-la, 
e, assim, perder completamente  
o caminho de tuas espirais.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Contraditoriedade

Só quero que todos me odeiem,
para que somente assim
alguém me ame.
Se a esse papel ninguém se propuser
por-me-hei à forca,
e serei somente eu a me amar.

XI



Caído no niilismo que mais medra,
sinto-me afogar no mais básico da realidade.
O trágico é a vida, nada nela significa,
mas buscamos desesperadamente sentidos
para sobreviver.
Para nós, ver que realmente nada importamos,
somos, ou nos são,
é a morte.
Sem mais saco pra tentar me iludir,
maquiar minha insignificância com palavras,
sorrisos, caretas, gestos, poesias,
entendo agora como pensa o suicida.
Meios de SER feliz não vejo,
somente quebras e buscas desesperadas
de expectativas sadomasoesquizoquistas,
mendicância de instantes.
Questão de tempo.
Imagino qual poema será meu último,
imagino qual será meu poema-carta suicida,
imagino como será o último poema
que deixarei para a posteridade ter,
mais um simulacro para pobres idiotas
tentarem significar.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A vida numa garrafa de cianureto

Só quero um jeito novo de morrer!
Suicidado todo santo dia
do mesmo jeito, tédio!
Quem sabe uma gillette na veia,
ou, com uma pistola,
uma bala nos cornos?
Quem sabe aquela golada de cianureto,

ou ácido sulfúrico?
Bebidas tão similares à cachaça falsa,
de ingestão diária,
vendida e fabricada num buteco putrefeito
da minha esquina-mictório
na minha rua-motel.
Só sei que morrer enrrabado todo santo dia,
sem gozo, dor, prazer, drama, choro ou opção,

sempre do mesmo jeito insosso, repetição, masturbação,
tem me deixado a vida sem graça.
Morrer sempre.

Sim, sei e aceito...
Mas de tédio, nunca!
O foda é que é sempre um tédio
viver nos dias santos...

Até porque nunca sei qual o santo do dia.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Rota de fuga

Invento pra mim,
minto, crio, me outorgo
um novo passado,
novas saudades,
velhas memórias
a mim, pessoalmente, inéditas.
Meio esse, um, de fuga
do que me foi e me é.
Rota de fuga covarde!
Creio, patético,
ser esse o único meio,
subterfúgio,
auto-estupro,
identificação,
enquadramento,
idiotice,
pra me forçar,
auto-fascista,
a amar quem,
por lei, por ordem,
pela moral e pelos bons costumes,
me nego a odiar.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

X

São dois os braços que,
infelizes, tenho presos ao corpo.
Meu eu restante nessa anatomia facista,
outorga sobre eles
um patético movimento pendular,
simetricamente oposto,
meticulosamente desengonçado,
só igualmente patético ao ato de abraçar,
estúpido não-movimento que castra liberdades
do abraçante e do abraçado.
Mas que ridículas as vidas dos meus braços,
vivem masoquistas e humilhados
sempre na ânsia
dos torpes movimentos
de balançar e abraçar,
equilibrar meu corpo esquizo-facista,
e sentir que nesse mundo outros corpos são
tamanho patéticos
que permitem castrar suas liberdades
em troca do finito prazer
de juntar corpos e sentir calores alheios,
fonte de fullgás prazer,
que dão sentido às vidas de meus reprimidos braços,
sujeitos às regras de conduta alheias
para vívidamente atingirem num abraço
o ápice de suas existências.
Meus braços, que são dois
infelizes, presos ao meu corpo,
meu eu restante nessa minha anômala
anatomia esquizo-facista.
São eles o devir minoritário,
sou eu o devir opressor.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A baco, aquele abraço.

Cada vez mais afundado
no que a moral condena
e o desejo ordena,
sigo norturno,
sonâmbulo e moribundo,
a peitar figuras azuis
que cada vez mais parecem saber
que é certa minha contravenção.
Forçam tardiamente a averiguação,
sempre com a certeza do crime,
mas impotentes crônicos,
forçados são a engolir em seco
seus umidos e mofados
discursos de moral.
Sigo em ruas,
vivendo cheiros
de gênese pubiana.
Entre cheiros de mijo,
cus, paus e vaginas,
percebo estar certo em estado,
equivocado em sentido físico,
na direção errada.
Não fosse a contravenção
a pouco cometida,
que dor seria procurar
novamente
o caminho de casa!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Amante de Sofia

Despi-la apenas ao desvelar
dos sentidos.
Tendo-a nua,
faço de seu corpo arma letal
apenas útil contra mim mesmo.
Após os embates criados
sob má-fé e pulsão criadora,
dar-se-há a cópula.
Puramente soturna, nossa relação
resulta na criação de algo túrbido,
possuidor dos piores caracteres
particulares de nós dois.
Eu, um poeta maldito
vivendo essa relação masoquista.
Ela, nunca ciência,
sempre devir,
sádica.
Nossa prole,
sorturna, sádica, masoquista, maldita,
só viva nos escarros
daqueles que dizem mais ama-la,
mas que nunca a abraçam,
apesar de viverem sempre a encenar
a dor inerente ao tê-la.
Eis que agora fez-se meu devir
apenas um idólatra rejeitado.
Por isso
por todos os lados
sinto o palpável desprezo
intrínseco à vida de um amante,
de vida putrefeita,
de Sofia.


***
FiloSOFIA: philos = que ama, sophia = sabedoria. (que ama a sabedoria)

sábado, 19 de setembro de 2009

Prólogo para um romance sem enredo

De que valem personagens?
Hábeis estáticos,
morrem na passagem da caneta
pro papel,
e são desvelados ao fúnebre olhar
das páginas correntes,
linearmente correntes,
sempre um protocolo de ordem.
E o tempo?
De que me vale tratar do tempo
se tão túrbida é nossa relação,
e em nada o entendo?
Trato de devires,
natos anacrônicos que,
ao invés de desvelados, corrompidos,
sofrem a cada olhar uma revelação,
nunca significam,
sempre resignificam,
refazendo-se a cada olhar.
Por que tentar uma história, um enredo,
se histórias e enredos há tantos?
Seria grande perda abraçar a um molde
e negligenciar as variadas possibilidades.
Agora, já destratados o tempo,
o caráter de personagem, e o enredo,
tratemos de espaços.
Que outro espaço mais tratante
com caráter de personagem,
com tempo,
com enredo,
do que a rua?
Já não se trata ela mesma do mais
tratante dos devires?
De rua por rua,
tratemos logo de devires.
Qual é mesmo a sua rua?

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Prólogo para uma possível anti-veja

Hemos de abraçar,
deviristicamente,
a deselegância bukowskiana
inerente à natural humaneza
de nossa reprimida humanidade.

***
Prólogo para uma possível revista independente de poesia incerta no porvir. A revista é um projeto meu que conta com mais dois amigos. Ela não tem nome, não tem cara, e nem patrocinador, e apenas uma proposta, desconstruir. Nossa única certeza é seu caráter "anti-veja".

domingo, 13 de setembro de 2009

Um novo quadro de um velho Gray

Os jovens,
pobres cegos,
incapazes de ver o tempo.
Os velhos,
pobres coitados,
só choram seus olhos que vêem.
Então o que fazer?
Cego ou choroso
só posso viver,
logo,
só posso morrer.